18 jun

É tempo de (mais) natureza!

A modernidade é mesmo uma via de mão dupla: ao mesmo tempo que traz infinitas facilidades e conveniências, nem sempre conseguimos estabelecer um consumo e relações responsáveis com a tecnologia, não é?

Hoje, é comum a troca de brincadeiras ao ar livre, em praças e parques, por exemplo, pelos jogos em tablets, celulares e videogames. Mas você já parou pra pensar no impacto negativo que esse contato cada vez mais esporádico com os ambientes naturais pode trazer ao bem-estar físico, emocional, social e até mesmo acadêmico das crianças?

É exatamente esse o tema que o jornalista e escritor norte-americano Richard Louv aborda em “A Última Criança na Natureza”, best-seller que já vendeu mais de 500 mil cópias em todo o mundo e foi traduzido em 15 idiomas. Por aqui, o livro foi lançado em 2016 e, junto com a Suzano, apoiamos sua impressão em português.

Na obra, o autor explica o fenômeno por meio do termo “déficit de natureza”. Tese essa que consiste nas consequências de uma vida longe do ambiente natural, como:

  • Obesidade infantil e musculatura fraca, associadas à falta de atividade física;
  • Falta de equilíbrio, pelo predomínio de pisos lisos e cimentados, que oferecem pouca oportunidade de instabilidade na movimentação corporal;
  • Deficiência de vitamina D, muito importante para nosso corpo;
  • Menor uso dos sentidos;
  • Ansiedade;
  • Dificuldade no relacionamento interpessoal.

Mesmo que o “déficit de natureza” não seja ainda um conceito médico estabelecido, ele já vem sendo aplicado por diversos especialistas. E , embora a questão afete a todos, inclusive os adultos, Richard foca mais no seu impacto às crianças: passar tempo demais em ambientes fechados (e, por sua vez, de menos na natureza) pode prejudicar o desenvolvimento emocional, social e físico.

O contato com a natureza traz muitas oportunidades para a criança, como o estímulo ao espírito de descoberta e à curiosidade, desenvolvimento dos sentidos e da coordenação motora, a valorização do indivíduo e das relações com as outras pessoas, e até mesmo o encantamento com o meio ambiente, que mais à frente poderá se desdobrar em um maior cuidado e respeito à biodiversidade, e ações mais responsáveis.

Dar bons exemplos para os pequenos e estimular que tenham experiências ao ar livre é a melhor forma de incentivar novos hábitos. Então, qual tal sair de casa e promover esse reencontro com a natureza?

Comentários

  1. Gratidão por esta leitura encantadora!!! Estou escrevendo meu TCC em EA pela ESALQ/ USP sobre o refletir da espiritualidade laica em prol das ações cotidianas para um viver com qualidade de vida ♡♡♡♡♡♡ tenho 2 filhos e amanos a natureza da simplicidade e do amor fraterno ♡♡♡♡♡

  2. Nasci em 1949, e tive a felicidade de ter uma infância ao ar livre, apesar de morar em apartamento no Rio de Janeiro, mas as calçadas e as pracinhas , eram a extensão da nossa casa , e vivíamos uma boa parte do dia na rua. Na escola aprendi a amar as árvores com uma diretora que sempre achava um bom motivo , para plantar alguma delas e reunir toda a escola em volta. Hoje, continuo com este saudável hábito e fiz da minha casa um pomar. Não lembro de nenhuma criança gorda naquela época e até meus vinte anos, eu posso contar nos dedos as colegas gorduchas que eu lembre. O motivo é que nós andávamos, pegávamos ônibus para ir a escola, a merenda era saudável e ninguém era ocioso. Gostávamos de ler e pular corda também. O contacto com a natureza aguça a curiosidade da criança, pois ela tem a chance de conhecer um formigueiro, ver o vai e vem das formigas, subir nas árvores para pegar mangas, observar as folhas, sua textura, fuçar as flores para descobrir seus segredos. Depois, comer e dormir. Eu tenho uma tese de que as crianças que brincam livre como os africanos e indianos por exemplo, têm mais inteligência do que um menino que fica na frente de um tablet. Os indianos são gênios da matemática , os africanos se lhe derem oportunidades também podem ser, mas mesmo assim, eles têm o dom de encontrar soluções para problemas do cotidianos, simplesmente por que brincam, e quem brinca é criativo por natureza.Tenho pena e não sei o que será desta nova geração de crianças, uma incógnita .

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