Flashes de um Brasil que lê
Um Brasil sem livros, que convive com um Brasil que gosta de ler
Em 2007 foi lançada a segunda edição da pesquisa Retratos do Brasil, realizada pelo Instituto Pró-Livro, com 92% da população brasileira. A pesquisa ouviu 172,7 milhões de brasileiros acima de cinco anos de idade por meio de 5.012 entrevistas domiciliares e questionário de 60 perguntas. A margem de erro é de 1,4%. Segundo Galeno Amorim, coordenador da pesquisa, duas boas surpresas merecem destaque entre as várias revelações da pesquisa. A maior delas é o crescimento do índice de leitura. Na primeira edição da pesquisa, em 2000, dentre os 86 milhões de entrevistados, os leitores somavam 49%. Em 2007 o total de leitores subiu para 92%. Foi considerado leitor aquele que leu pelo menos um livro nos três meses anteriores ao período da pesquisa, entre 29 de novembro e 14 de dezembro de 2007.
Outra boa surpresa foi uma significativa preferência pelo gênero poesia, apesar do mercado editorial investir pouco nesse segmento. Retratos do Brasil traz muitos dados interessantes sobre o universo da leitura no Brasil. Traremos alguns deles mensalmente, a fim de que esse Brasil de gente que gosta de ler se torne conhecido e respeitado, condições essenciais para ampliar e melhorar políticas públicas de leitura.
● Os cinco escritores mais lidos: Monteiro Lobato, Paulo Coelho, Jorge Amado, Machado de Assis e Vinicius de Moraes.
● Os cinco livros mais lidos: a Bíblia, O Sítio do Pica-Pau Amarelo, Chapeuzinho Vermelho, Harry Potter e O Pequeno Príncipe.
● As mulheres lêem mais que os homens. Elas lêem 5,3 livros por ano e eles lêem 4,1.
"Leitura é também uma forma de estar presente, uma superação dos limites da presença física, uma ampliação de oportunidades de diálogo”
Ana Maria Machado
OUTRAS IMPORTANTES REVELAÇÕES:
Quem está na escola lê mais
Daí a enorme importância da formação leitora dos professores nos cursos de graduação, do retorno da aula de literatura no curriculum escolar, da criação e manutenção de bibliotecas escolares, com profissionais qualificados e acervo permanentemente atualizado.
55% dos não leitores nunca viram os pais lendo
Este tem sido um dos focos do trabalho desenvolvido pelo Ecofuturo e outras organizações afins: aprendemos a ler por convívio e por contato com livros e leituras. O papel da família é fundamental na formação do hábito de leitura e aqui as mídias e as escolas podem contribuir muito, orientando os pais para que criem situações de leitura em casa. Faça o download do Passaporte da leitura e da Escrita, que traz para famílias e educadores
86% dos não leitores nunca foram presenteados com livros na infância. O índice cai para 48% entre os leitores.
Sobre este assunto acesso o artigo Dia da leitura, pra que? Ler para bebês e crianças, por que? que fala da importância em ler para crianças que ainda não sabem falar. Por esta razão o Ecofuturo pleiteou a criação do Dia da Leitura no Dia 12 de Outubro, Dia da Criança, que aguarda sanção presidencial.
Um em cada três brasileiros conhece alguém que venceu na vida graças à leitura
Mais uma vez, a mídia tem papel fundamental, identificando e divulgando depoimentos de personalidades e formadores de opinião sobre a importância da leitura em suas vidas.
A preferência pela leitura como prazer vem depois do gosto por assistir TV, ouvir música, descansar, ouvir rádio.
Como diz a fonoaudióloga e mestre em psicolingüística pela USP Lucila Pastorello, “falamos com os bebês para que aprendam a falar; dançamos com os bebês para que aprendam a dançar; sorrimos e dizemos não para que consigam fazê-lo. É preciso ler para crianças pequenas, bem pequenas, sempre. Para que elas possam ler, ter acesso ao mundo e tornarem-se cada vez mais Humanas”. Saiba mais acessando o texto de Lucila Pastorello “Porque sim não é resposta: 7 bons motivos para ler para crianças pequenas”, publicado na página 128 do livro “A vida que a gente quer depende do que a gente faz”.
“Não é fácil para a escola usar, com plenitude, a literatura. A escola faz da literatura um instrumento pedagógico. Ela sempre quer que a criança leia para saber, enquanto a literatura deve ser lida pelo prazer de ler”
Bartolomeu Campos de Queiroz
Há muito a ser feito e uma das mais importantes tarefas na construção de um país que lê é a efetiva criação de uma política de governo sistemática focada na criação de Bibliotecas Públicas e Comunitárias amigáveis, interligadas em rede, complementada com investimentos privados.
Metade dos pesquisados considerados leitores preferem descansar a ler. 77% prefere assistir TV. Muito dessa situação se deve pela maneira como o livro chega na vida das pessoas, algumas das quais estão descritas acima.
Uma nova geração começa a aprender que ler pode ser muito divertido. Os números estão mostrando que as crianças e os jovens são os que mais lêem. Enquanto a média nacional de livros lidos por habitante é de 4,7, entre os pequeninos de cinco a 10 anos de idade a média sobe para 6,9 livros. Essa é a plataforma na qual o Brasil que lê está se erguendo. Um Brasil que sabe brincar de ler.
