O Melhor Lugar do Mundo
Quem conta um conto conta muitos outros mais
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Gislaine Buosi Feehus Monteiro é professora de Pouso Alegre (MG) e vencedora do 6º. Concurso de Redação Ler é Preciso, com a redação Uma Instrução singela (página 31 do Inventário do que podia ser bem melhor e será...). Ela conta que cresceu entre pessoas bonitas, educadas e criativas e que os livros sempre fizeram parte do carrinho de compras da família: “Arroz, feijão, iogurte e ... livros”, diz ela. |
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A redação de Gislaine foi apenas um começo de sua trajetória de escritora, e novos desdobramentos surgem a cada dia. Como professora, ela desenvolve um projeto especial do Instituto de Educação e Ensino de Pouso Alegre, com seis adultos. Ao mesmo tempo, continua com as crianças pequenas das séries iniciais. O interessante é que ela vem usando o livro Inventário do que podia ser bem melhor e será... com igual sucesso tanto com as crianças quanto com os adultos. Segundo a professora, a parte que conta a história das letras é excelente para trabalhar a familiarização com o alfabeto, e, para isso, a idade não representa uma limitação.
“Convidei-os a fotografar objetos na rua que lembrem as letras, como está no livro, e também sugeri que desenhassem a própria casa levando-os a senti-la como o melhor lugar do mundo”.
A escritora Gislaine continua firme e forte. O pequeno Tuniquim, personagem da redação premiada, continua com seis anos de idade e apegado à árvore, que é o seu melhor lugar do mundo, só que, agora, ele é tema da novela que ela escreve: Tuniquim e outros contos. Outro projeto de Gislaine: o livro Era uma vez um avô japonês, que já tem o segundo volume a caminho. Viabilizado pela Lei de Incentivo à Cultura de Pouso Alegre, o llivro apresenta um raro e cuidadoso equilíbrio entre texto e ilustração.
“Reparei que muitos autores economizavam no enredo e exageravam na ilustração. Quando lia para meu filho e chegava ao fim, ele retrucava: ‘Que pena! A historinha acabou tão rápido!".
Foi assim que nasceu a personagem principal, o Gu-Macarrão, uma espécie de colagem de todas as crianças que passaram pela vida de Gislaine. O enredo toca em temas delicados, como morte, Deus, família e amizade.
“Queria muito apresentar às crianças um Deus amigo, compreensivo, que não se escandaliza nem castiga as crianças arteiras; um Deus que aceita pedidos como sonho de creme ou suspiros em vez do costumeiro pão de cada dia”, diz ela.
Para dar vida às reflexões de Gu-Macarrão, a escritora mergulhou nas próprias lembranças, e essa veracidade é quase palpável durante a leitura. Gislaine conta que tinha seis anos quando seu pai morreu, e todos diziam que ele tinha ido para o céu. Então, ela queimou muitos neurônios imaginando o pai escalando muros, subindo escadas e trepando em árvores para chegar ao céu. Com esse toque pessoal e a intenção de dialogar com franqueza e amorosidade com as crianças, a autora nos presenteia uma obra ímpar, deixando no leitor a curiosidade própria dos contos que se recusam a terminar. O que será que vem depois, Gislaine?
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