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“Temos problemas, mas dos grandes problemas saem as grandes soluções”, Ives Gandra.

Ives Gandra da Silva Martins, advogado tributarista e jurista brasileiro, atualmente presidente do Centro de Extensão Universitária, professor emérito da Universidade Mackenzie e professor honoris causa do Centro Universitário Fieo.

Conheça suas idéias sobre educação e meio ambiente.

Ensinar a importância da sustentabilidade ambiental é relevante, visto que, neste século XXI, a preservação do meio ambiente significa a própria preservação da vida em sociedade.

É necessário que cada aluno, de cada escola, saiba, desde seus primeiros passos, a importância desta preservação. À evidência, a educação sobre as questões ecológicas é relevante, mas não é o único instrumento disponível para a tomada de consciência ambiental.

A necessidade de sobrevivência em determinadas áreas do planeta, a informação pontual, as moléstias decorrentes da poluição, etc. – tudo auxilia a formação de uma consciência ecológica. A educação, todavia, é, nitidamente, a mais relevante.

Lester Brown, pesquisador sênior do Worldwatch Institute, em seus livros Por uma sociedade sustentável e O 29º dia, intuiu a importância de ensinar-se desde cedo à criança a relevância do mundo sustentável. No livro O 29º dia, referia-se às experiências na França, em que jovens plantavam feijão numa garrafa com terra suficiente para crescer, mas que, no 29º dia, por falta de ar, o feijão definhava e morria. Assim, concluía que a sociedade, ao estar causando a deterioração dos diversos sistemas ecológicos da Terra (o ar pela poluição, a terra pela erosão e devastação florestal e o mar pela destruição de sua flora e fauna), assemelhava-se ao feijão, que, após crescer, ficava sufocado dentro da garrafa, por não ter ambiente mais propício ao seu desenvolvimento.

A leitura permite uma visão mais abrangente dos problemas ecológicos, visto que os meios audiovisuais terminam, de um lado, causando mais impacto, mas, de outro, sendo mais superficiais que os textos escritos. A leitura, portanto, para a formação das pessoas é imprescindível e insubstituível. Convenço-me de que quem tem o hábito de ler possui um instrumental maior para enfrentar a vida e compreender os problemas inerentes à existência.

O domínio da leitura e da escrita auxilia, mais do que qualquer ensinamento magisterial, o crescimento das pessoas.

Tudo depende dos governos, das escolas, da família, da sociedade: os primeiros, ao privilegiarem a difusão do conhecimento da realidade ecológica; as segundas, por serem as que podem mais diretamente atuar sobre a formação do futuro cidadão, quanto à necessidade de preservar o meio ambiente; a terceira, por ser a célula-mater da sociedade e que, juntamente com a escola, tem de ensinar desde cedo o jovem a pensar seu futuro; e, por fim, a sociedade civil, como um todo, na demonstração da imprescindibilidade do meio ambiente para sua própria existência. A criança deve, desde cedo, estar preparada e adquirir tal compreensão.

Temos de ser otimistas. Francisco Faus, no livro Otimismo cristão hoje (Ed. Quadrante), mostra que, apesar de todos os fatores negativos de uma sociedade que perde um pouco o senso dos verdadeiros valores da humanidade, é possível acreditar no futuro. Vicco, na sua famosa espiral, para justificar a evolução do mundo, dizia que a humanidade cresce por espirais, ora com movimentos altos, ora baixos, mas sempre a parte mais baixa da nova espiral é mais alta que a parte mais baixa da espiral anterior. O que temos de fazer é dar valores à juventude, a partir da redescoberta da importância da família, da solidariedade humana e do idealismo cívico, com o que todos nós somos responsáveis por tudo.

Para ir além

Livros

Constituição brasileira (vol. 8), Editora Saraiva e O estado de direito e o direito do Estado,
2ª edição, Lex Editora, de Ives Gandra Martins.

Por que ler?

Para ficar por dentro do que dizem as nossas leis sobre meio ambiente e família e, assim, aumentar nossa consciência cidadã.

Pérola


"Escrevo ainda para não me sentir abafado pelas minhas idéias, pois é um empurra-empurra no meu pensamento, milhares de idéias furando fila para poder sair e ver se serão bem aceitas no mundo".
Gabriel Luís Gusmão Maciel, 12 anos
Lima Duarte/MG

Mais pérolas como esta no livro Inventário do que podia ser bem melhor e será, o melhor lugar do mundo.

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