Colheita de madeira com manejo de baixo impacto
Manejo de baixo impacto na área que cerca o Parque das Neblinas permite a retirada de madeira de eucalipto e a restauração da Mata Atlântica
As atividades agrícolas ou silviculturais necessárias para suprir as necessidades do homem são potencialmente causadoras de impactos ao meio ambiente.
Na colheita florestal isso não é diferente. Para diminuir os efeitos negativos do corte de árvores de eucalipto de grande porte, o Instituto Ecofuturo utiliza, desde agosto de 2008, uma nova maneira de fazer essa exploração de madeira. Trata-se do chamado “manejo de baixo impacto”, realizado no entorno do Parque das Neblinas.
Segundo o engenheiro florestal e gerente de Projetos Ambientais do Instituto, Paulo Groke, o entorno do Parque tem uma grande área de plantio utilizada para suprir a fábrica da Suzano Papel e Celulose. “Em decorrência dos cuidados ambientais adotados no passado, restaram muitas árvores de eucalipto que ficaram situadas em áreas de alta sensibilidade ambiental. Hoje em dia, a retirada de parte dessasdestas árvores remanescentes é tecnicamente recomendada, além de permitir a geração de receita que pode ser aplicada nas atividades relacionadas à conservação ambiental.
“Se adotássemos o modelo de corte convencional, haveria graves impactos para o meio ambiente. Por isso, tivemos de desenvolver uma metodologia que permitisse a retirada da madeira com o menor impacto possível. Para tal, lançamos mão de diversas técnicas até chegar ao manejo para colheita de baixo impacto”, afirma Groke.
Apesar de existirem técnicas semelhantes no manejo florestal na Amazônia, os procedimentos criados pelo Instituto Ecofuturo são novos para a condição de florestas plantadas, de acordo com o engenheiro Groke. A ideia é de que esse conhecimento possa ser ampliado e permita um maior aproveitamento de remanescentes representados por espécies florestais exóticas, como o eucalipto e o pínuspinus, pela própria Suzano, outras empresas e produtores rurais interessados em manejos de baixo impacto no corte de eucalipto.
A árvore mais adequada para o corte
Esse tipo de técnica leva em conta uma análise crítica sobre o ambiente no qual cada árvore está inserida antes da tomada da decisão sobre sua retirada ou permanência. Uma equipe de técnicos especializados determina e marca cada árvore que poderá ser cortada.
Groke resume como a equipe faz essa escolha: “Só depois de muito observar se a queda da árvore poderá ser direcionada de maneira que não cause muitos impactos à vegetação do entorno é que se decide pelo corte”.
“Se houver um ninho de passarinho na árvore ou outro elemento que signifique a presença de fauna fazendo seu uso, ela não será derrubada”, diz Groke. Outra medida de precaução refere-se a fatores limitantes das condições do tempo no dia do corte. “Se o vento estiver forte demais, a árvore pode cair numa posição não determinada. Então, o corte não acontece nesse dia. Se começar a chover, as árvores até podem ser cortadas, mas o transporte não é feito, porque a presença de caminhões nas estradas em dias de chuva pode ocasionar processos erosivos em seu leito.”
Todo cuidado é pouco
“Essas e outras decisões são tomadas para ajudar a minimizar o impacto. Há um conjunto de procedimentos e elementos que permitem tirar a madeira dentro de parâmetros ambientais bem rígidos, inclusive com aval da Secretaria do Meio Ambiente”, afirma Groke.
É importante não confundir manejo de baixo impacto com manejo sustentável. “Para um manejo ser sustentável, é preciso que o negócio também seja sustentável ao longo dos anos, com rentabilidade econômica. No Parque das Neblinas, a madeira retirada do entorno não será replantada, pois desejamos que, no lugar dos eucaliptos colhidos, ocorra a regeneração da Mata Atlântica, ocupando o lugar e formando uma vegetação secundária de espécies nativas”, diz o engenheiro florestal.
Ele explica que algumas áreas são marcadas para que essa regeneração seja devidamente acompanhada. “Junto com a equipe há sempre uma pessoa da própria região que coordena e ajuda nesses processos, marcando as árvores, fazendo acompanhamento dos cortes, avaliação e relatórios fotográficos.”
“Outro ponto delicado é o transporte. Os caminhões devem transitar em estradas bem consolidadas. Como já foi ressaltado, nos dias de chuva o transporte é cancelado”, ele ressalta.
“Existe uma lógica coerente do Instituto Ecofuturo dentro do Parque das Neblinas: devolver parte do espaço para a Mata Atlântica original. Essa é uma ação que exercemos conseguindo conciliar geração de receita com cuidado ambiental. Isso é muito gratificante”, conclui.
Saiba mais
O Parque das Neblinas, localizado em Bertioga (SP), abrange uma área de 2.800 hectares vizinha ao Parque Estadual da Serra do Mar. Em 2007 foi reconhecido como Posto Avançado da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, do programa Homem e Biosfera, da UNESCO. Passeios e atividades no Parque
