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"Porque sim" não é resposta: Sete bons motivos para ler para as crianças

Lucila Pastorello

Está no rádio, tevê, jornais e revistas: em toda parte se diz que ler é importante

e que é preciso que as crianças leiam, sempre. Por quê? Porque sim.

Se todo mundo fala a mesma coisa deve ser verdade.

Pois é justamente essa resposta — “porque sim” — que um bom leitor

jamais aceita. Ler é importante, sim, ler desde sempre e para sempre.

Imagine quantas coisas a gente pode ler e quantas coisas acontecem

(e deixam de acontecer) quando lemos.

Carta de amor e de demissão. Lista de supermercado e de casamento.

Receita de bolo. Gibi e propaganda. E-mail e bilhete escrito no guardanapo

de papel. Documento importante e revista de fofoca. Livro sério,

divertido, emocionante, maluco. Livro de escola, de faculdade, de trabalho.

Notícia daqui, de lá e de outros mundos. Nome de gente, de bicho, de

pedra. Poesia que rima, que combina e que se movimenta. Direção a

seguir, destino de ônibus. A leitura permite que a gente chegue lá. E o “lá”

pode ser um endereço qualquer na cidade ou o futuro com que se sonhou um dia.

Até aqui, tudo bem. Mas você pode estar pensando: por que ler para

crianças pequenas? Não é na escola que a criança aprende a ler? É disso

que trata este texto e, depois de lê-lo, você poderá descobrir novos

significados para a palavra “leitura”.

Leituras

Ser alfabetizado é diferente de ser leitor.

Para ler um texto qualquer, é preciso que você domine a técnica de

“decifrar” as letras e palavras — e isso depende de um aprendizado que,

normalmente, acontece na escola: a alfabetização.

Mas ser alfabetizado não é o mesmo que ser leitor. A leitura é o aprendizado

de uma técnica, sim, mas é muito mais que isso. Ler é também uma

prática social, um modo de estar no mundo.

Quando lemos qualquer coisa, não estamos apenas decifrando as letras,

mas atribuindo sentido àquilo que está escrito.

E...

... cada um lê à sua maneira, pois somos seres singulares

 

7 bons motivos para ler para crianças pequenas

 

Você já reparou como duas pessoas podem ler as mesmas palavras e interpretá-

las de modo muito diferente?

Um livro que seu amigo adorou e você detestou?

“Te vejo hoje à noite no lugar de sempre.”

Essa frase, escrita em um bilhete, pode significar muito para a pessoa certa

e absolutamente nada para o destinatário errado.

Tornar-se leitor depende das relações que estabelecemos com o escrito.

Como, quando, onde, por que e para que usamos nossa leitura.

Quanto mais lermos coisas diferentes em situações diferentes, melhores

leitores nos tornamos. Mais “letrados” nos tornamos.

Assim é fácil perceber que não é da noite para o dia que viramos leitores.

É possível começar a tornar-se leitor a qualquer momento e, como veremos,

podemos iniciar as crianças desde bebês. Não vamos fazer bebês

lerem, naturalmente. Mas seguindo a leitura deste texto você descobrirá

pelo menos 7 bons motivos para ler em voz alta para crianças pequenas.

É provável que você mesmo encontre mais motivos.

Reparta com a gente!

Algumas observações antes de mergulhar nos bons motivos para ler para

crianças:

Ler para crianças pequenas (bebês e até barrigas de qualquer idade estão

incluídos) não é a mesma coisa que contar histórias para as crianças. São

atividades muito diferentes e muito importantes em suas diferenças.

CONTAR é isto: você pode contar histórias que aconteceram com você,

com seus amigos e familiares, coisas que você ouviu outras pessoas contarem,

“casos” que são contados por seu avô e o avô de seu avô... De boca

em boca, coisas que fazem parte do que chamamos de Tradição Oral. Você

pode inventar histórias alegres, tristes e engraçadas, ou pode recontar

famosas histórias infantis como o O Chapeuzinho Vermelho e Os Três

Porquinhos. E com certeza cada um conta um pouquinho diferente. Ou,

ainda, você pode montar uma história com as crianças, tornando a criação

uma atividade interativa. Toda essa variedade de formas de contar

histórias pode ser praticada com total liberdade na sua expressão vocal,

facial e corporal. Você pode usar músicas, desenhos, roupas e qualquer

acessório que quiser para dar um colorido especial para suas histórias.

Certamente, você já notou que algumas pessoas têm mais facilidade

que outras para contar histórias...

LER é outra coisa: ler em voz alta é servir como ponte entre o livro e a

criança. Como a pessoa que lê fica no meio entre dois elementos – o livro

e o ouvinte –, muitas vezes chamamos o "ledor" de mediador, exatamente

para diferenciá-lo do contador de histórias. Ao ler, é preciso ser fiel ao

texto escrito. Não dá para mudar as palavras. Isso não significa que sua

leitura deva ser monótona e sem cor. As variações na sua voz, o ritmo da

leitura, com sons e silêncios, vão dar cor e temperatura à leitura, fazendo

com que o livro fique vivo.

Agora, vamos aos bons motivos!!!

1. Ouvir alguém ler ajuda o desenvolvimento da linguagem

falada.

Quando estamos lendo em voz alta para outras pessoas, várias coisas

acontecem ao mesmo tempo:

- Estamos transportando as letras do papel para o ouvido de outra pessoa

através do nosso corpo.

- Estamos comprometidos em uma atividade que envolve a atenção ao

outro e a todos.

- Ouvimos nossos próprios sons e o texto que estamos lendo.

- A leitura oral assim pensada é um gesto de oferta ao outro.

- Oferecemos nosso corpo e nossa atenção ao livro.

- Oferecemos o livro a quem nos ouve.

Na leitura, oferecemos a linguagem. A criança ouve palavras novas e maneiras

ainda não experimentadas de falar, de colocar as palavras em relação.

Sons e imagens do livro ocupam espaços que a criança não poderia experimentar

sozinha ou nas relações cotidianas.

O livro abre uma porta para novas possibilidades de língua e linguagem.

Mas... E se a criança não entende nem metade das palavras que a gente fala?

Pois é exatamente por isso que devemos ler e ler mais!

Repare como falamos com bebês. As mães, especialmente, falam uma

forma “fofa”, cheia de melodias. Mas falamos sobre tudo: a comida, a

troca de fraldas, o que pode estar acontecendo com o papai que não

chega, como o preço das roupas está um absurdo e que cara-de-pau

daquela vizinha que mandou um presentinho usado!!! Será que os bebês

estão entendendo tudo isso? Mas eles riem, olham, reparam, ouvem e,

como por milagre, começam a falar e a falar cada vez mais. E logo, logo

você pode vê-los brincando com bonecos e dizendo “Já falei mais de mil

vezes que não é para a senhorita mexer no fogão”. De onde será que veio

isso senão da oferta que lhes fizeram, desde seu nascimento? Imagine o

que seria das crianças (e de todos nós) se as mães só falassem com seus

filhos aquilo que eles já sabem?

2. Ler para crianças pequenas facilita a aprendizagem da escrita.

Anne-Marie fez-me sentar a sua frente, em minha cadeirinha; inclinou-

se, baixou as pálpebras e adormeceu. Daquele rosto de estátua

saiu uma voz de gesso. Perdi a cabeça: quem estava contando? O quê?

A quem? Minha mãe ausentara-se; nenhum sorriso, nenhum sinal de

conivência, eu estava no exílio. Além disso, eu não reconhecia sua linguagem.

Onde é que arranjava aquela segurança? Ao cabo de um

instante, compreendi: era o livro que falava. Dele saíam frases que me

causavam medo; eram verdadeiras centopéias, formigavam de sílabas

e letras, estiravam seus ditongos, faziam vibrar as consoantes duplas:

cantantes, nasais, entrecortadas de pausas e suspiros, ricas em

palavras desconhecidas, encantavam-se por si próprias e com seus

meandros, sem se preocupar comigo; às vezes desapareciam antes que

eu pudesse compreendê-las, outras vezes eu compreendia de antemão

e elas continuavam a rolar nobremente para o seu fim sem me conceder

a graça de uma vírgula.

Trecho de As palavras, de Jean-Paul Sartre

Se a criança que ouve alguém ler pode aprender mais sobre como falar,

com certeza pode também aprender muito sobre a própria leitura e escrita.

A cada nova leitura, bebês de qualquer idade e crianças bem pequenas

descobrem mais as relações entre a palavra que sai da boca de quem lê, as

letras no papel e a imagem das páginas que são lidas.

Quando lemos respeitando o texto, sem pressa, mas com entusiasmo, deixando

que as crianças acompanhem a leitura e vejam as imagens do livro,

elas podem aprender que existe um ritmo para a leitura; que é preciso

esperar entre uma virada de página e outra, esperar o texto e a imagem.

Crianças bem novas já podem identificar, pela voz do leitor, quando é hora

de mudar de página. Deixar que elas ajudem a virar a página pode ser uma

ótima idéia para que, desde cedo, elas participem da leitura e percebam

seu corpo, ajustem seus movimentos ao livro.

Observando quem lê, a criança pode perceber o que é para ser lido (o texto

verbal, as palavras) e o que é para ser visto (as imagens, as ilustrações).

As crianças que são expostas desde cedo e freqüentemente à leitura se

arriscam a “ler”: identificam no mundo em que vivem o que é possível ser

lido, qual é o contexto e o que supostamente pode estar escrito.

Um exemplo: uma criança de 4 anos diante do banheiro feminino, onde

estava escrito “Senhoras”, apontou o dedo para a palavra e começou a

“ler”: ba-nhei-ro!!! Repare e encontrará por aí mais crianças fazendo o

mesmo. Isso não quer dizer que as crianças se alfabetizem sozinhas!!!

Algumas vezes elas até podem acertar, mas na verdade não estão lendo,

estão apenas supondo e ensaiando, o que certamente vai ajudar na sua

aprendizagem da escrita e da leitura.

Outra coisa bem interessante: a exposição à leitura em voz alta é um

evento de letramento. Ao ouvir/ver o livro, a criança vai aos poucos

percebendo como a escrita tem suas formas próprias de colocar as palavras

em relação: falamos de um jeito diferente do modo como escrevemos.

A escrita tem suas regras próprias. Muitas vezes, entender isso é difícil

para a criança que está aprendendo a escrever e não tem contato com

textos escritos — mas pode ser mais fácil para a criança que ainda não é

alfabetizada mas já está mergulhada no mundo letrado.

3. A leitura compartilhada fortalece os laços entre pais e

filhos, entre quem lê e quem recebe a leitura.

No início do item 1, vimos que a prática da leitura em voz alta coloca em

ação diferentes movimentos entre as pessoas.

Há alguém que ouve e que fica atento para ouvir o livro lido pelo outro.

Há alguém que lê e que usa sua mente e corpo para ser uma ponte

para o livro.

Esses gestos já dizem muito:

“Você merece ser ouvido!!”

“Você merece receber minha leitura, minha atenção, meu empenho.”

Estamos falando de relação entre pessoas que, além de compartilharem o

momento, passam juntas pelas emoções, aflições, alegrias e surpresas que

o livro vai revelando.

Então, também é impor tante

que as crianças vejam os

adultos lerem !

Saber que o outro viveu os mesmos momentos me faz pensar:

Ele sente o mesmo que eu?

Ele pensa o mesmo?

Conhecer o outro faz parte de aprender a conhecer a si mesmo. Conversar

com o outro sobre o livro, os personagens, as sensações vividas na leitura,

é uma forma de estreitar laços entre as pessoas. Comece a ler para as

crianças e veja como elas vão pedir cada vez mais leitura e cada vez mais

livros, mais tempo com quem lê, mais tempo com os livros. Aliás, não é só

para crianças que podemos ler, não é mesmo?

Isso não é ótimo?

4. O contato com diferentes textos dinamiza emoções e

contribui para o desenvolvimento emocional das crianças.

Toda vez que a mamãe sai é a mesma história.

Ela me diz o que é para fazer durante o dia e depois me dá um beijo.

Ela só quer meu bem, a mamãe.

Mas esta manhã ela se esqueceu de me dar um beijo.

Mamãe, e o meu beijo?

Mas mamãe já está longe, nem pode me ouvir...

Trecho inicial de O beijo, de Valerie D'Heur

Não confunda

Gorila gigante

Com mochila chocante

Não confunda

Velhota nariguda

Com gaivota bigoduda

Trechos de Não confunda, de Eva Furnari

(...)

E Chapeuzinho Amarelo,

De tanto pensar no LOBO,

De tanto sonhar com o LOBO,

De tanto esperar o LOBO,

Um dia topou com ele

Que era assim:

Carão de LOBO

Olhão de LOBO

Jeitão de LOBO

E principalmente um bocão

tão grande que era capaz

de comer duas avós,

um caçador,

rei, princesa,

sete panelas de arroz

e um chapéu

de sobremesa.

Trecho de Chapeuzinho Amarelo, de Chico Buarque

O que acontece quando lemos estes três textos diferentes?

Cada um de nós sente de uma forma: tristeza, solidão, abandono,

surpresa, medo, expectativa.

O livro permite que se viva, pois deixar-se emocionar é estar vivo.

As crianças em geral pedem que se leia várias vezes o mesmo livro.

Em cada audição, nova leitura, ela pode exercitar-se na percepção e controle

das emoções, na previsão dos caminhos narrativos, na certeza do

mesmo fim.

A cada nova leitura todos nós evocamos diferentes monstros, princesas e

bruxos. A cada nova leitura enxergamos diferentes soluções, um detalhe

desapercebido aqui, uma novidade acolá.

Ler de novo nunca é ler a mesma coisa.

5. O contato com os livros estimula a curiosidade, a criatividade,

o interesse em conhecer novos livros e o mundo.

Se você ainda não está convencido da importância de ler para crianças

pequenas, temos ainda mais motivos...

No item 1, vimos que as crianças usam o material que ouvem e que vêem

para construir suas próprias obras, lembra-se? A criança que é exposta com

freqüência aos livros e leituras desenvolve naturalmente a curiosidade em

saber o que se esconde por trás das páginas de um novo livro, já que sua

experiência mostra quanta riqueza pode estar lhe esperando.

A criança que não está habituada à leitura pode ver o livro apenas como

um objeto pedagógico, um instrumento de instrução e controle. Muitas

vezes esse é o motivo do desinteresse das crianças pelos livros. Elas acabam

achando que a leitura é chata, que os livros são enfadonhos, difíceis,

impossíveis... Assim, elas vão ler (e mal) por obrigação. Sem prazer.

Por outro lado, para a criança que é introduzida no mundo letrado com

livros cuidados, de boa qualidade, sem que se tente usar os livros como

instrumentos de padronização e controle, o resultado pode ser bem diferente.

A criança pode ver o livro como fonte criativa, possibilidade de transformação.

As crianças pequenas às vezes usam trechos de histórias, de livros, para

arranjar e re-arranjar soluções das suas dificuldades. Dos fragmentos de

textos ouvidos, a criança poderá construir seus próprios textos.

A criança que gosta de ouvir os livros tem sede de livros.

E lembre-se: livros podem ser comprados, trocados, emprestados. Procure

bibliotecas, exija-as; não abra mão de variedade e qualidade. Dê esta

oportunidade às crianças: elas saberão aproveitar!!!

6. Ler para crianças pode ser uma atividade relaxante para

quem lê e um momento para conhecer melhor sua voz e seu corpo.

Voltando à idéia de leitura como gesto: uma ação dirigida ao outro. Quem

lê usa seus olhos, seu cérebro, seus pulmões, sua laringe, sua boca e também

o resto do corpo. Se ler é prazer, deixe que o livro leve seu corpo, que

as palavras entrem e saiam de você.

Saboreie as letras.

No início, pode ser estranho emprestar sua voz ao texto.

Leia muitas vezes o mesmo texto, sozinho e acompanhado.

Grave sua leitura.

Ouça a gravação e anote suas impressões.

Conviver de maneira insistente e pacífica com diferentes formas de usar a

voz e o corpo pode fazer você descobrir novas formas de expressão.

Procure assinar sua leitura. Deixar sua marca, sem caricaturas ou “fazer

tipo”. Não esqueça: se quer fazer da leitura um momento agradável, você

deve estar confortável.

Sente-se e acomode-se.

Mude sua posição, se for necessário. Perceba e elimine incômodos e tensões

no seu corpo que possam atrapalhar.

Finalmente, ajuste sua voz, para não se cansar e poder modular com

facilidade.

Respire sempre sem esforço e sem dificuldade.

Você vai ver como o livro pode fazer bem ao seu corpo!!!

7. A leitura de bons livros é interessante e contribui para o

desenvolvimento cultural também dos adultos.

Livros para crianças só servem para crianças?

Determinar uma idade-limite para um livro é diminuir a sua possibilidade

de sempre ter um significado, e de modo diferente.

É certo que existem temas e linguagens mais ou menos interessantes para

crianças de diferentes idades.

Mas quem estabelece idades para um livro são as escolas e as editoras —

não os autores de livros.

Agora, uma última pergunta:

Um adulto sabe tudo?

Claro que não, e ler livro de criança é coisa de gente grande também. Veja

estes trechos:

(...)

Chegou no igapó, onde encontrou um pescador desconhecido que tinha

a seu lado um grande cesto trançado, cheio de peixes. Ele estava usando

o timbó, aquele cipó que solta um líquido que deixa a água branca e

os peixes tontos, fáceis de pegar.

Trecho de O menino e o jacaré, de Maté

(...)

Para a Índia a vovó ia viajar:

— O que você quer ganhar?

— Uma coisa diferente: curry e arroz bem quente, ao som da cítara

envolvente.

Trecho de Lembrancinhas, de Jo Ellen Bogart e Barbara Reid

Parece que você está se convencendo de que é muito importante ler para

crianças pequenas. Será? Ou encontrou mais alguns bons motivos? Se

você não tiver crianças pequenas por perto, não faz mal. Escolha um livro

e leia para esta que está dentro de você!!!

Boas leituras!

Para ler mais sobre a leitura e a criança

BRENMAM, I. Através da vidraça da escola. Formando novos leitores. São Paulo, Casa do Psicólogo, 2005.

LAJOLO, M. Do mundo da leitura para a leitura do mundo. São Paulo, Ática, 2004.

PAULINO, VERSIANI (org.). Literatura e Letramento: espaços, suportes e interfaces, o jogo do livro infantil. Belo Horizonte, Autêntica, 2003.

ZILBERMAN, R. Como e por que ler a Literatura Infantil Brasileira. Rio de Janeiro, Objetiva, 2004.

Para ir além no Dia da Leitura

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