23 out

Ecofuturo inaugura a primeira biblioteca Ler é Preciso em escola infantil

Há quase 15 anos, o Instituto Ecofuturo trabalha na implantação de bibliotecas e no incentivo à leitura desde a primeira infância. Toda essa bagagem contribui com o repertório da instituição para inaugurar em outubro, mês em que se comemora o Dia Nacional da Leitura, sua primeira biblioteca em uma escola infantil. Parte da Rede Ler é Preciso, a 98ª biblioteca instalada na cidade de Itapetininga, interior de São Paulo, na Escola Municipal de Ensino Infantil Valter Aliberti Junior

A participação de todos os envolvidos para que biblioteca fosse aberta foi grande desde o início. Desde a Prefeitura, que colaborou indo além do que a parceria previa, até os professores da escola infantil, que se envolveram na escolha dos títulos e vibraram com as conquistas durante a trajetória. Isso só revalida o modelo adotado pelo Ecofuturo no seu programa de bibliotecas. 

O prefeito de Itapetininga, Luís Di Fiori, lembra a história da cidade e diz que apoiar um projeto pioneiro como esse está em linha com a tradição local: “Itapetininga é conhecida como a ‘cidade das escolas’ pelo número de escolas que temos. Isso já mostra que o comprometimento do município com educação está no nosso DNA. A leitura é a porta de entrada para a formação de um cidadão melhor e, iniciar esse hábito desde cedo, é a melhor opção para que as crianças tomem gosto pelos livros. Estamos honrados em receber essa biblioteca aqui”, afirma.

A parceria também se estende para o patrocinador, a Duratex. Alexandre Neves, Gerente de Produção da empresa, e que os representou na inauguração, disse que é muito importante esse tipo de iniciativa. “Projetos como o Ler é Preciso são de extrema importância. Nos valores da Duratex, temos como premissa a valorização humana. Isso vai além do nosso colaborador. Valorizamos as pessoas que fazem parte da comunidade onde estamos inseridos, como um todo. E leitura é uma maneira de valorizar o ser humano”, diz Alexandre. Com a biblioteca de Itapetininga, já são 11 na Rede Ler é Preciso que contam com o patrocínio da Duratex.

“Estamos muito contentes com essa biblioteca. Foi um grande desafio para nós e também uma oportunidade de ampliar nosso repertório de experiências. O projeto está em linha com uma fala que o Ecofuturo sempre acreditou: leitura é uma questão de hábito e isso precisa ser feito desde a barriga da mãe”, afirma Christine Castilho Fontelles, Diretora de Educação e Cultura do Instituto Ecofuturo. 

Portas abertas para todos

No que depender dos professores da EMEI Valter Aliberti Junior, a Biblioteca Domingos Portella será um espaço muito utilizado não só pela comunidade da escola, como por toda a população de Itapetininga. Esse é o caso de Daiane Vieira Zeneratto, professora que participou dos cursos de auxiliar de biblioteca e promoção de leitura da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), parceira do projeto e que fazem parte das etapas de implantação das bibliotecas da Rede Ler é Preciso, já se voluntariou para sair pela cidade convidando a todos para visitarem a biblioteca: “essa não é uma biblioteca escolar pura e simplesmente. Não é a toa que ela tem uma entrada independente da escola, voltada para a rua. Estou muito feliz não só pelos meus alunos, mas porque toda Itapetininga ganha com um lugar cheio de livros interessantes e novinhos, prontos para serem lidos. Fico feliz demais por ter participado ativamente desse processo. Sinto como se a biblioteca também fosse minha”, relata emocionada a professora.

Guilherme Fellipe Martins, contratado como funcionário da biblioteca, diz que essa não é uma biblioteca tradicional e acredita que isso contribuiu muito para que o local seja pulsante e vivo: “os cursos me abriram a mente e mostraram que a biblioteca não precisa ser aquele espaço rígido, com um balcão separando o público dos frequentadores. Ela pode ser um espaço de convivência, transformando o ato de ler em algo muito mais prazeroso. Acredito que a Biblioteca Comunitária Ler é Preciso Domingos Portella pode até ser um espaço para agregar a convivência das famílias de Itapetininga. Os pais podem trazer os filhos aqui para escolher um título ou ler um livro junto com eles. A cidade ganha não só na educação, como também recebe uma opção a mais de lazer”.

Realmente, a participação de pais e professores numa biblioteca com foco maior no público infantil é de extrema importância. Pesquisas apontam que leitores sempre indicam que começaram a ler ou por influência da família (mãe sempre em primeiro lugar) ou de professores. Vanessa Oliveira, mãe de Gabriela de Cácia, uma das alunas da EMEI Valter Aliberti Junior, concorda com essas pesquisas. “Gabriela é uma apaixonada pelos livros desde pequena. Além de eu sempre incentivar e ler para ela desde o período da gravidez, minha filha teve a sorte de encontrar professores que fizeram um trabalho fantástico com ela e reforçaram o que eu sempre preguei em casa. Com certeza, seremos frequentadoras assíduas dessa biblioteca, assim como já frequentamos a biblioteca municipal”, conta Vanessa.

Os diferenciais de uma biblioteca infantil

Como essa é a primeira biblioteca implantada pelo Ecofuturo dentro de uma escola infantil  e que também atenderá alunos de uma creche localizada próxima, alguns diferenciais foram considerados. Eles vão desde disposição dos móveis, tratativa do promotor de leitura e auxiliar de biblioteca com o público do espaço, chegando também na escolha dos livros. Essas questões também foram abordadas nos cursos da FNLIJ em Itapetininga.

Gláucia Maria Mollo, da FNLIJ, explica que uma biblioteca com foco em um público tão jovem, deve ter uma atenção redobrada a questões como limpeza desse ambiente: “os promotores de leitura da biblioteca precisam fazer com que o ambiente fique bastante apropriado para os bebês. Para isso, o local precisa estar limpo, devem ser retirados os mobiliários que possam causar algum problema para a locomoção dos bebês, e é preciso colocar vários tipos de livros (cartonados, texturas, sons, pano, plástico, etc) de forma acessível a eles, para que possam escolher o que querem pegar, olhar e morder”.

A leitura também precisa ser extremamente cuidadosa. Títulos que contenham alguma informação que seja próxima de bebês, como um animal, ajudam a gerar identificação e atrair a atenção. Porém, Gláucia alerta que o tempo de leitura deve aumentar gradativamente. “No começo, as histórias precisam ser curtas, pois a intenção é que eles participem desse momento onde um leitor lê e apresenta as ilustrações para eles. Não se deve cansá-los. Esse tempo se amplia conforme eles forem firmando o hábito da leitura”, ela dá a dica.

Apesar de crianças com pouca idade precisarem de mais atenção do que um público mais velho, a promoção de leitura deve ser tratada do mesmo jeito para qualquer idade. “O promotor de leitura precisa fazer a mesma coisa com qualquer tipo de leitor: precisa, primeiro, ser leitor e gostar de ler, pois ele é a pessoa que irá indicar o que tem de melhor no acervo e fazer as leituras na biblioteca. Só assim ganha a confiança dos seus usuários. Um promotor de leitura que não conhece os livros e não sabe o que indicar, não consegue fazer um trabalho de formar leitores na biblioteca com nenhum público”, explica Gláucia, que lembra que experiências boas de leitura (e as ruins também) ficam marcadas para sempre na memória das crianças. “Portanto, cabe ao promotor de leitura da biblioteca a responsabilidade de fazer com que seus leitores tenham ótimas oportunidades”.

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