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Acontece

Com as palavras do querido poeta Bartolomeu Campos de Queirós, manifestamos nossa alegria de estar ao lado da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil nesta festa dos 40 anos de colheitas em que “a infância e o livro se juntam para, em liberdade, sonhar com um mundo iluminado com a luz própria advinda da sua mesma humanidade”.

 

Nem todos nós estávamos presentes ao seu advento. Pensando sua história, agradecemos por esse criativo instante. Tudo conspirou para que a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil se tornasse nossa estrela-guia. Nasceu na beira do mar, onde pisamos apenas uma margem. A outra praia, desconfiamos – pela imensidão do oceano – que só com o tempo se alcança. Imaginamos ter nascido numa madrugada possuindo a aurora como futuro. Afirmamos ter brotado pela força do afeto. Pelo afável sua criação se fez absoluta.

     

Infância, escritor, editor, educador, pai e mãe, todos recebem – sempre – notícias de sua presença, tamanha é a força de sua existência. Até os ventos, que penteiam os quatro pontos cardeais, se responsabilizam em espalhar seus desejos. Em lugar algum ele deixa de soprar a boa nova, sempre renovada pelo trabalho. E em outras praias seu empreendimento se aporta.

O vir-à-luz da Fundação se deu a partir dos olhares de empatia pela infância, vindos da lucidez de Laura Sandroni, Ruth Vilella e Maria Luisa Barbosa.

Elas leram no cotidiano de nosso país que tudo seria melhor se a alma dos mais jovens fosse alimentada também de literatura. Sabiam, pelo convívio com os livros, que o literário não esconde o real. Ele nos aproxima do desejo de redimensionar o mundo pela beleza. Sem duvidar da concretude dos sonhos, as três fadas-mestras perceberam mais. Intuíram que o mundo sonhado também está gravado nos livros. Elas confirmaram que o encontro literário –autor/leitor – se dá quando a “liberdade abre as asas sobre nós”. Para sonhar é preciso estar em estado de liberdade. E pela linguagem literária a dúvida dialoga com os mistérios sem atritos. Elas compreendiam que a beleza move os humanos por veredas ou trilhas, inteirando-os a partir de percepções sensíveis.

E assim foi. A Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, podemos decifrar, nasceu como um presente para os mais jovens. Era preciso preservar, com cuidados, os elementos que inauguram a infância: liberdade, espontaneidade, inventividade. E recorrer à literatura, trabalho adulto que se concretiza ao não ignorar os elementos presentes na natureza da criança, era o caminho. Na literatura a infância é revisitada.

Aproximar a criança do livro literário, cremos, foi o princípio norteador da Fundação. É que as crianças, desde sempre, gostam dos livros. Sem ainda dominar o alfabeto são capazes de ler. Urdem histórias a partir das ilustrações, suspeitam enredos diante do desenho das letras e inventam conversas em que desvelam seus segredos.  

Todo livro se abre em amizade pela criança. E como amigo – instigante e silencioso – o livro literário permite também aos mais jovens deixar repousar, sob seu abrigo, inquietações e fantasmas, viagens e tantas escolhas.

Por ser assim, muitos foram convidados para estar ao lado da Fundação. Escritores buscaram maior qualidade na construção de suas obras. Ilustradores se empenharam em imprimir preciosas leituras plásticas nos livros. Editores investiram nas seleções e editoras fizeram a obra circular com ligeireza. Professores e escolas refletiram sobre as funções da literatura na educação plena de seus alunos. Pais e mães passaram a ter o livro e suas histórias como objeto essencial de conversa com os filhos. E todos que acreditam na necessidade de fazer do Brasil um país leitor se aliam à Fundação pela excelência e reconhecimento público de suas proposições.

logo fnlij 40 anos

A Fundação completa em 2008 seus 40 anos de nascimento e êxito. Aplaudindo seu desempenho cultural e político, nos somamos para reverenciar os idealizadores e operários da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, cuja gestão vigorosa e corajosa de Beth Serra – sua atual secretária-geral – vem redimensionando os princípios originais que nortearam a existência da Fundação, revitalizando seus princípios geradores e sua história.

Pelo seu incansável labor, infância e literatura ganham novos entendimentos e muitos discípulos. O 10º. Salão do Livro, local de celebração dos 40 anos da Fundação, congrega, num só espaço, todos aqueles envolvidos com a infância e que afirmam que o futuro é filho do presente: escritores, editores, educadores, atores, pais e tantos que, com desmedo, sabem que só a criança rejuvenesce o tempo que passa.

O Instituto Ecofuturo – identificado com a sensatez da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil – tem o privilégio de tê-la como referência para ações que envolvem infância, leitura, educação.

Para ir além

- Saiba mais sobre o 10º Salão do Livro Infantil e Juvenil

- Confira o depoimento de pessoas que acompanham a trajetória da FNLIJ