Programa Investimento Reciclável apóia cooperativas de catadores
Parceria entre Instituto Ecofuturo, Banco Real, Fundação Avina e Suzano Papel e Celulose prevê apoio financeiro e de melhoria de gestão para cooperativas e associações de catadores de material reciclável da região metropolitana de São Paulo
Cinco cooperativas e associações de catadores de material reciclável da região metropolitana de São Paulo participam da primeira edição do Programa Investimento Reciclável, resultante da parceria entre o Banco Real, a Fundação Avina e a Suzano Papel e Celulose, sob a coordenação do Instituto Ecofuturo.
O programa, que prioriza o apoio financeiro e a capacitação para a profissionalização do setor, recebeu investimento de R$ 120 mil de cada um dos parceiros, totalizando R$ 360 mil para a iniciativa. Parte será utilizada para a aquisição de equipamentos ou capital de giro.
Os recursos, reembolsáveis, devem ser devolvidos ao fundo em até 24 meses, contando com três meses de carência e correção monetária, porém em condições mais atrativas do que aquelas encontradas no sistema financeiro tradicional, pois não implicam juros sobre as parcelas a restituir. A elaboração das bases do programa foi amplamente debatida com representantes do Movimento Catadores.
Para acompanhar o desenvolvimento das cooperativas incluídas na iniciativa, foi criado um comitê gestor composto por seis profissionais -- quatro representantes de sua respectiva organização e outros dois ligados a movimentos formais de catadores. Entre as atribuições estão a discussão das diretrizes, o acompanhamento de resultado das ações, a prospecção de novos parceiros e a deliberação sobre as instituições que serão apoiadas.
As cinco cooperativas e associações selecionadas – Cooper Viva Bem, Pacto Ambiental, CooperAção, Cooperativa Nossos Valores (Granja Julieta) e a Associação Coreji – receberam recursos financeiros de R$ R$ 10 mil a R$ 40 mil, para investir na melhoria das operações. Nessa primeira etapa do programa um total de R$ 141,7 mil foi alocado na compra de equipamentos, entre os quais prensas, balanças, fragmentadoras de papel ou capital de giro, além de R$ 36 mil em capacitação técnica e assessoria em gestão.
“Nossa proposta não é filantrópica e permitirá que os cooperados adquiram confiança na sua capacidade de gestão”, explica Paulo Groke, gerente de Projetos Ambientais do Instituto Ecofuturo. “À medida que as cooperativas forem devolvendo os valores recebidos, outras organizações poderão receber esses recursos, ampliando as possibilidades de financiamento e a inclusão de novas cooperativas”, completa.
Segundo Laura Oltramare, superintendente de Desenvolvimento Sustentável do Banco Real, a iniciativa tem como proposta reduzir os intermediários existentes entre os catadores e as indústrias recicladoras. “A ação visa incluir as cooperativas do sistema financeiro e fomentar a cadeia produtiva da indústria da reciclagem”.
Para André Dorf, diretor da Unidade de Negócio Papel da Suzano Papel e Celulose, “o projeto se consolidou como uma alternativa de trabalho e geração de renda aos catadores e, também, como forma de gerar resultados sustentáveis por meio da redução dos impactos ambientais decorrentes da geração de resíduos”.
Oscar Fergutz, coordenador de Reciclagem da Fundação Avina, afirma que a entidade “acredita que, com o programa, a indústria da reciclagem pode desenvolver todo o seu potencial de gerar resultados econômicos, ambientais e sociais sustentáveis”.
Além do Instituto Ecofuturo, estão em parceria neste projeto:
Banco Real
A primeira experiência da instituição financeira para valorizar e profissionalizar o trabalho dos catadores foi aplicada no Nordeste, em parceria com o Centro de Estudos Socio-ambientais (Pangea), há mais de dois anos. O Pangea é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) com uma extensa trajetória na execução de projetos no âmbito da cooperação internacional. Parte da experiência adquirida pelo banco foi aplicada no programa Investimento Reciclável.
Fundação Avina
A instituição suíça criada em 1994 incentiva parcerias entre líderes sociais e empresariais. Suas ações na área de reciclagem se iniciaram em 2003, com a aproximação do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) e organizações sociais de apoio. Atualmente, a entidade conta com 24 escritórios e está associada com mais de mil líderes sociais e do setor empresarial comprometidos com o desenvolvimento sustentável. A experiência e os conhecimentos que vem acumulando há quatro anos contribuiu para a articulação de atores, bem como para a elaboração e o desenho do projeto.
Suzano Papel e Celulose
Desde 2001, quando foi lançado o Reciclato®, o papel com papel socioambiental, a Companhia tem ampliado a compra de aparas de papel diretamente de novas cooperativas de coleta seletiva, que, inseridas no contexto da indústria de reciclagem, adquirem melhores condições de gerar trabalho e renda para os catadores de material reciclável. Composto de 75% de aparas pré-consumo e 25% de aparas pós-consumo -- adquiridas diretamente de cooperativas de catadores de material reciclável – o Reciclato® envolve hoje 85 cooperativas, cerca de 4 mil cooperados e 14 mil catadores que são beneficiados indiretamente.
