11 fev

O quanto você vai crescer para se tornar um ser, ou o que você não vai ser quando crescer?

A julgar pela trajetória convencional da maioria que cursa uma escola, do ensino básico ao médio, e uma universidade tradicionais, baseadas em modelos de educação que pouco ou nada estimulam e permitem a espontaneidade, a criatividade e a alteridade – típica capacidade de saber distinguir, reconhecer o diferente e, porque não, a importância da diversidade -, a possibilidade de sermos o que realmente somos muito provavelmente não se realizará. Isso pelas razões óbvias, como lembra o engenheiro mecânico Eduardo Shimahara, que aos 42 anos diz sentir o gosto inédito do aprendizado num mestrado no Sustainability Institute, na Cidade do Cabo, cidade beira-mar na África do Sul.

Esse porto revelador veio depois da concretização coletiva de um sonho – o livro “Volta ao mundo em 13 escolas – sinais de futuro no presente” -, movido por uma inquietação antiga de mostrar que há caminhos e não apenas um para o desconforto dos que não pertencem e definitivamente não querem perseguir por quase duas décadas uma “formação” educacional óbvia. Sim, há os que querem, e não há nada de errado com isso.

“Levei uns 17 anos estudando o que eu não queria e não via sentido”, conta Shima, como é reconhecido carinhosamente. Ele diz entender as escolhas das escolas feitas pelos pais (com ascendência germânica e japonesa) e as dele, como a graduação na universidade, por conta da necessidade de independência e estabilidade financeira, a carreira profissional numa multinacional, um cargo executivo num renomado grupo de educação superior, ou uma pós em cooperação, tônica nos seus trabalhos mais recentes.  Esse encontro com o que se é e se quer, de verdade, na história de Shima adquire contornos nítidos de realização.

Sonho coletivo de 4 e disponível para todos

Escrita pelo jovem jornalista André Gravatá, 23 anos, a obra (“Volta ao mundo em 13 escolas – sinais de futuro no presente”) é fruto, da semente à flor, da mais pura cooperação. Além de André, participaram da confecção do projeto o próprio Shima, a psicóloga Camila Piza e a empreendedora Carla Mayumi. Integrantes do coletivo Educ-ação, os 4 visitaram 13 escolas em 9 países, graças ao financiamento coletivo, também conhecido como crowdfounding.

Entre as escolas públicas e privadas, além de espaços de aprendizagem, retratados estão a Team Academy, na Espanha, uma iniciativa com foco em fomentar o empreendedorismo nos jovens; a YIP (Youth Initiative Program), um projeto voltado a jovens de 19 a 25 anos que, durante 10 meses, vivem e desenvolvem experiências em que exploram aspectos pessoais (conhecendo melhor a si mesmos) e sociais (por meio de intercâmbios em outros países, atuando como voluntários), na Suécia; o Schumacher College, na Inglaterra, instituição com uma visão de educação conectada com a natureza; o North Star, um centro de aprendizagem autodirecionada nos EUA – uma ação de desescolarização realizada em grupo; a Quest to Learn, em Nova York, onde os games ensinam e ao mesmo tempo são concebidos por educadores (ali, alunos e professores); e a brasileira Amorim Lima, cujas paredes foram removidas para compartilhar saberes e roteiros entre a escola e a comunidade.

As histórias ultrassaborosas desse livro, com direito a receita comestível de escrita diretamente das Minas Gerais, não pretende ser um modelo, uma referência a ser seguida ou replicada em nenhuma escola, aqui no Brasil ou em qualquer outro lugar. “Nossa motivação coletiva foi, sobretudo, pela busca de modelos inspiradores de educação”, conclui Shima.

Depois dessa jornada, conte pra gente qual, na sua opinião, é o melhor caminho a seguir, o que fala mais ao coração, o que traz promessas de um amanhã garantido, qual tem sido seu trajeto? Isso tudo nos interessa.

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