O Recheio da Empadinha
Extração ilegal de palmito gera danos ao meio ambiente e à saúde.
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A mais consumida entre as espécies que chegam à nossa mesa, o palmito-juçara caiu no gosto popular por seu sabor e facilidade de ser encontrado nas gôndolas dos supermercados. A preferência do consumidor, porém, vem acompanhada de falta de informação sobre o produto. Há grande desconhecimento em relação à origem do palmito e ao risco que se corre ao comê-lo; 90% do produto vendido no mercado é extraído de forma ilegal, perigosa para o meio ambiente e para a saúde. Uma vez cortada, a palmeira não se regenera. Uma árvore de 8 a 10 metros, contém apenas um metro de palmito em seu interior. De acordo com o engenheiro florestal e gerente de projetos ambientais do Instituto Ecofuturo, Paulo Groke, o palmito-juçara não pode ser produzido de forma agrícola porque a palmeira não sobrevive fora da Mata Atlântica. Isso acabou levando as pessoas à extração ilegal e ao roubo, até mesmo em áreas de conservação ambiental, como parques e reservas. |
“O resultado foi um impacto muito grande na conservação da Mata Atlântica, porque o palmito é a base alimentar de algumas espécies da fauna, como mamíferos de pequeno e médio porte, além de aves. Sem o palmito, a população de algumas espécies diminui e a polinização de alguns vegetais fica prejudicada”, explica.
A retirada do palmito, segundo Paulo, provocou grande impacto na dinâmica de regeneração da mata. “Hoje existem proprietários de áreas florestais que têm o manejo autorizado, mas são poucos e não distinguíveis no mercado. Alguns participam de um processo de ‘maquiagem’, registrando palmito extraído ilegalmente como se fosse feito de forma correta”, afirma.
Todo esse cenário contribui para que a produção clandestina ocorra de modo pouco seguro. Muitas vezes, o palmito é envasado na própria mata, sem preocupação com higiene e com risco de transmitir doenças como o botulismo.
O processo, porém, pode ser revertido. Além de optar por outros tipos de palmito — como o pupunha, produzido em áreas agrícolas —, é preciso apoiar e incentivar comunidades interessadas em fazer o manejo correto da espécie. O Instituto Ecofuturo, identificando o problema na região do Parque das Neblinas, iniciou um trabalho para estimular os produtores locais a fazer o manejo correto do palmito, concentrando-se também na produção de polpa de açaí, proveniente do fruto da palmeira. O Instituto Ecofuturo compra parte das sementes, algumas das quais são disseminadas na mata para replantar as palmeiras. Essa atividade gera renda para o produtor rural, que passa a valorizar as palmeiras de sua região e ver a mata de forma positiva.
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Pindorama
é nome que populações indígenas dão ao Brasil.
Pindorama é língüa tupi.
Pindorama é país ou região das palmeiras.
Palmeira em tupi é pi’ndowa.
Palmeira é língua portuguesa.
Palmito, também.
Palmeira que dá palmito está em extinção.
Palmito de palmeira ou pi’ndowa plantada é preservação.
Preservar significa a mesma coisa em português, tupi ou outra língua.
Preservar é uma questão de atitude em qualquer idioma.
Consumo responsável,
Desenvolvimento Sustentável
