Parceria entre Instituto Ecofuturo e FUNAP propicia inauguração do projeto
Com chancela da Fundação Nelson Mandela, a Biblioteca Comunitária Ler é Preciso de Bauru é a 81ª do projeto que existe há 10 anos.
Setembro de 2009 – O Instituto Ecofuturo, em parceria com a Funap (Fundação de Amparo ao Preso), inaugurou no dia 11 de setembro a Biblioteca Comunitária “Ler é Preciso” Nelson Mandela na penitenciária Dr. Eduardo de Oliveira Viana, conhecida como PII de Bauru, com apoio da Secretaria de Administração Penitenciária.
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A Biblioteca atenderá presos do regime semiaberto e funcionários da referida penitenciária e teve concepção e coordenação técnica do Doutor em Lingüística Luiz Percival Leme Britto, que afirma que “o que está em questão nesse projeto é o reconhecimento de direito do preso de ter acesso ao conhecimento produzido pela humanidade e presente nos livros. Assim, contribuímos para que os participantes possam saber e pensar com a arte, a filosofia, a moral e a política, entre outras ciências”. |
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O projeto contemplou cursos de promoção de leitura e auxiliar de biblioteca para 22 pessoas, entre as quais estão detentos, monitores da Funap de diversas regionais, diretores de educação das unidades prisionais PI e PII de Bauru. O acervo de 1.300 livros novos, que inclui coleções de arte, música e literatura, foi criteriosamente selecionado para que os presos e os funcionários possam ampliar seus horizontes intelectuais, sociais e profissionais. Conta, ainda, com equipamento de micro-informática e software de gerenciamento de acervo.
Segundo Christine Fontelles, diretora de educação e cultura do Instituto Ecofuturo, "a ideia de implementar este projeto surgiu em 2001, a partir da estréia do filme “Carandiru”, de Hector Babenco, com o objetivo de contribuir com a promoção da formação intelectual e desenvolvimento pessoal do detento. Ao longo dos estudos preparatórios contamos com orientações de Julita Lemgruber, socióloga especialista em segurança pública, Márcia Badaró, psicóloga com experiência em promoção de leitura em presídio, Bruno Tolentino, professor de literatura em Oxford que desenvolveu um interessante projeto de leitura na prisão de Dartmoor, onde ficou detido por cerca de 1 ano, e Luiz Mendes, escritor e colunista da Trip que, depois de 31 anos cumprindo pena, conseguiu re-significar a sua vida por meio da literatura, conforme descrito na página 461 do livro de sua autoria “Memórias de um Sobrevivente” : "O que acontecia comigo era simples. Possuía um conhecimento do mundo, ao aprender a ler e assim entender melhor esse mundo, tal conhecimento não se sustentava. Só me restava fazer uma releitura e reinterpretação desse mundo". Com este projeto pretendemos contribuir com a instituição da cultura da leitura, visando a ampliação de horizontes intelectuais, sociais e profissionais, o que inclui também a elevação de escolaridade, através da associação das atividades da biblioteca com os programas de educação escolar. Com esta experiência, o Ecofuturo espera também contribuir com a formulação de referências para a implantação de bibliotecas em todos os presídios do País”, afirma.
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O projeto homenageia Mandela devido à sua trajetória de vida baseada no ideal de uma sociedade livre, justa e democrática, mantido obstinadamente durante os 27 anos em que esteve preso e recebeu a chancela da Fundação Nelson Mandela. Em carta dirigida ao Instituto Ecofuturo, Achmat Dangor, diretor executivo da Fundação, afirma que “a iniciativa é uma ótima maneira de ajudar a restaurar o senso de humanidade dos prisioneiros e também incentivar sua reintegração na sociedade”. |
Gláucia Maria Mollo, profissional da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil que ministrou o curso de monitoria de bibliotecas, disse que esta unidade tem um significado todo especial para os seus usuários. “Acredito que essa biblioteca possa ter um poder transformador incrível. A leitura é um caminho importante na vida de todos, porém, num presídio, ela ganha um foco ainda maior: além de preencher o tempo dessas pessoas, oferecer conhecimento e aprimoramento de vocabulário, nesse caso, ela é um instrumento para eles buscarem novas alternativas de vida ao terminarem seu período de pena”, explica.
Mais de 40 mil usuários em 8 Estados
“Saber ler e escrever com competência é requisito fundamental para que uma pessoa possa desenvolver autonomia, abrir caminho para a construção de um pensamento autônomo e participar ativamente de uma sociedade democrática. O acesso a obras de qualidade é de extrema importância para acessar o conhecimento e desenvolver estas competências”, afirma Christine Fontelles.
Existem 80 Bibliotecas inauguradas pelo Instituto Ecofuturo em parceria com o poder público em oito Estados do país (Bahia, Espírito Santo, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo), que atendem cerca de 40 mil usuários por mês. Cada biblioteca tem uma média de 500 usuários por mês.
Os projetos Concurso de Redação Ler é Preciso, Biblioteca Comunitária Ler é Preciso e o Dia Nacional da Leitura, desenvolvidos pelo Ecofuturo, atuam de forma integrada e viabilizam a democratização do acesso ao conhecimento e a redução do analfabetismo funcional, com o objetivo de contribuir para o domínio crítico da linguagem e da competência de comunicar-se pela escrita por meio da implantação de bibliotecas em comunidades de baixo IDH e a promoção da escrita nas escolas de todo o País. As ações priorizam crianças, jovens, educadores e líderes comunitários.
Sobre o Instituto Ecofuturo
Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), o Instituto Ecofuturo está celebrando 10 anos de realizações. Criado e mantido pela Suzano Papel Celulose, desenvolve projetos em parceria com instituições, empresas, poder público, pesquisadores, comunidade e universidades, nas áreas de educação e meio ambiente, com ênfase no desenvolvimento do ser humano e no respeito à natureza.
Para o Ecofuturo a palavra é a ponte para a sustentabilidade, por isso investe no Programa Ler é Preciso, por meio do qual promove a leitura e a escrita entre crianças, jovens e adultos em nível nacional. Fazem parte do Ler é Preciso os seguintes projetos: Biblioteca Comunitária Ler é Preciso (com 79 bibliotecas em 8 Estados), Concurso de Redação (6 edições realizadas e 30 mil redações recebidas na última), Dia Nacional da Leitura, em 12 de Outubro, Dia da Criança (projeto liderado pelo Ecofuturo desde 2006 e que tornou-se decreto assinado pelo Presidente Lula em janeiro de 2009, cujo objetivo é sensibilizar pais e professores para a importância de ler literatura para crianças desde a primeira infância) e Rede Cultural Ler é Preciso (promove intercâmbio, formação e divulgação de novas ações culturais), incluindo a criação e ampla distribuição de materiais de referência, como o livro “A vida que a gente quer depende do que a gente faz” (livro com textos escritos por pesquisadores e literatos brasileiros falando sobre temas como educação, preservação ambiental, problemas sociais e outras questões que envolvem a sustentabilidade do planeta) e publicações como Passaporte da Leitura e da Escrita e Passaporte Brincar de Ler, que oferecem dicas para pais e professores sobre como incluir as atividades de leitura na rotina das crianças de maneira criativa e prazerosa.
O Ecofuturo realiza projetos que conciliam o desenvolvimento econômico com desenvolvimento humano e a conservação do meio-ambiente, como o Parque das Neblinas, reserva aberta à visitação que abriga uma exuberante mata atlântica restaurada nos últimos vinte anos: um campo-escola que é um claro exemplo de que é possível recompor e cuidar deste bioma e sua gente. E trabalha para o fortalecimento de cooperativas de catadores de recicláveis, incentivando a construção coletiva de uma cultura de sustentabilidade.
Sobre a FUNAP
A Funap, instituída há 30 anos, é vinculada à Secretaria de Estado da Administração Penitenciária e tem por missão institucional planejar, desenvolver e avaliar, no âmbito estadual, programas sociais nas áreas da assistência jurídica, da educação, da cultura, da capacitação profissional e do trabalho para as pessoas que se encontrem privadas de liberdade, desenvolvendo, assim, seus potenciais como indivíduos, cidadãos e profissionais e contribuindo para a inclusão social dos mesmos.
Na área de educação, a FUNAP oferece Programa de Educação Básica (Alfabetização, Ensino Fundamental e Médio) às pessoas recolhidas no sistema, com foco na formação cidadã e continuada de todos os agentes, buscando a Educação plena. Para tanto, implantou escolas em 97 unidades prisionais, atendendo mais de 15.000 presos e as mantém com recursos próprios. Com esta inauguração, são 114 salas de leitura espalhadas em todo o sistema prisional do Estado.


