13 nov

A menina que ganhou um rio

Minha mãe me deu um rio.

Era dia do meu aniversário e ela não sabia o que me presentear.

Fazia tempo que o mascate não passava naquele lugar esquecido.

Se o mascate passasse a minha mãe compraria alguma rapadura

ou bolachinhas para me presentear.

Mas, como não passava o mascate, minha mãe me deu um rio.

Era o mesmo rio que passava atrás de nossa casa.

Eu estimei o presente mais do que fosse uma rapadura do mascate.

Meu irmão ficou sentido porque ele gostava do rio igual aos outros.

A mãe prometeu que no aniversário do meu irmão ela iria dar uma

árvore para ele.

Uma árvore que fosse coberta de pássaros.

Eu bem ouvi a promessa que a mãe fizera para meu irmão.

E achei legal.

Os pássaros ficariam durante o dia nas margens do meu rio,

e à noite eles iriam dormir na árvore do meu irmão.

Meu irmão me provocava assim: minha árvore

dava flores lindas em setembro

e o seu rio nunca dá flores.

Mas eu gozava que a árvore dele não dava peixes.

E na verdade o que nos unia de verdade eram

os banhos no rio nus entre pássaros!

Nesse ponto a nossa vida era um afago.

 

Livro A Vida que a gente quer depende do que a gente faz

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